segunda-feira, 27 de abril de 2026

 Trem de Ferro

Não sei por que a minha infância foi marcada por uma ligação muito grande com o trem de ferro. Não entendia de nada devido a tenra idade, mas vi-me metido numa composição puxada pela pujante Maria Fumaça. O vagão de passageiros com seus bancos gastos, acomodava a garotada, que ora dormia ou ficava olhando a paisagem comentando o que viam. O cheiro do vapor expelido pela grande chaminé causava terrível enjoo. O mais bonito era ver a locomotiva serpenteando pelas montanhas muito adiante dos vagões. O vulto negro com aquela chaminé monstruosa dava a ideia de sua potência. O que mais despertava a curiosidade infantil era quando repentinamente penetrava em um túnel, as luzes quase por encanto acendiam, o suspense até que novamente o caminho prosseguia pelas montanhas das Gerais. A próxima estação era anunciada pelo chefe do trem; o trem começava a desacelerar provocando grande ruído e solavancos, os guarda-freios pendurados na traseira do vagão girando aquela rodinha parecendo um volante para parar o monstro, a curiosidade da meninada obrigava meu pai explicar tudo, inclusive as manobras.   

            A estação do trem sempre constituiu num ponto de grande importância, pois ali se desenrolavam os embarques e desembarques de mercadorias e principalmente pessoas. Na plataforma as chegadas e despedidas, as lágrimas e os lenços brancos agitados na partida de alguém muito querido.

            Viajei em muitos trens, maria fumaça, trem elétrico, locomotiva a diesel; mas confesso que o encanto daquela maria fumaça, com aquela caldeira expelindo aquele vapor enjoativo, com aquela parafernália, com aquele apito ensurdecedor avisando a arrancada, aquele jeito de serpente entrando na toca quando entrando no túnel, aquela marcou.  

Geraldo Mendes Paiva – Dez/2024

 

 

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