Trem de Ferro
Não sei por que a minha infância foi
marcada por uma ligação muito grande com o trem de ferro. Não entendia de nada
devido a tenra idade, mas vi-me metido numa composição puxada pela pujante
Maria Fumaça. O vagão de passageiros com seus bancos gastos, acomodava a
garotada, que ora dormia ou ficava olhando a paisagem comentando o que viam. O
cheiro do vapor expelido pela grande chaminé causava terrível enjoo. O mais
bonito era ver a locomotiva serpenteando pelas montanhas muito adiante dos
vagões. O vulto negro com aquela chaminé monstruosa dava a ideia de sua
potência. O que mais despertava a curiosidade infantil era quando
repentinamente penetrava em um túnel, as luzes quase por encanto acendiam, o
suspense até que novamente o caminho prosseguia pelas montanhas das Gerais. A
próxima estação era anunciada pelo chefe do trem; o trem começava a desacelerar
provocando grande ruído e solavancos, os guarda-freios pendurados na traseira
do vagão girando aquela rodinha parecendo um volante para parar o monstro, a
curiosidade da meninada obrigava meu pai explicar tudo, inclusive as manobras.
A estação do
trem sempre constituiu num ponto de grande importância, pois ali se
desenrolavam os embarques e desembarques de mercadorias e principalmente
pessoas. Na plataforma as chegadas e despedidas, as lágrimas e os lenços
brancos agitados na partida de alguém muito querido.
Viajei em
muitos trens, maria fumaça, trem elétrico, locomotiva a diesel; mas confesso
que o encanto daquela maria fumaça, com aquela caldeira expelindo aquele vapor
enjoativo, com aquela parafernália, com aquele apito ensurdecedor avisando a
arrancada, aquele jeito de serpente entrando na toca quando entrando no túnel,
aquela marcou.
Geraldo Mendes Paiva – Dez/2024
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