terça-feira, 23 de janeiro de 2018

DISTRITO DE SANTO ANTÔNIO DO RIO PRETO PÁGINA A PÁGINA

DISTRITO DE SANTO ANTÔNIO



O Distrito de Santo Antônio
Município de Dom Bosco-MG e Sua História.
Professor Geraldo Mendes Paiva

DISPENSA APRESENTAÇÃO

DISPENSA APRESENTAÇÃO




Os registros feitos minuciosamente pelo Professor Geraldo Mendes Paiva. Para quem o conhece, e teve o prazer de conviver cotidianamente com ele, sabe de sua capacidade intelectual. Conhece o seu interesse e preocupação pela preservação da Memória Cultural dessa Vila, hoje Distrito, sua gente e um pedaço do município de Dom Bosco, onde a família Paiva há 50 anos chegou, participaram efetivamente de seu crescimento e com seu trabalho e luta construiu e registrou sua história. 
Para quem não o conhece pessoalmente, perde a chance de conhecer um cidadão extremamente inteligente em todos os sentidos, mas mantém este saber escondido atrás de sua humildade. Além de gostar de registrar os fatos, tem aguçado poder criador, suas crônicas, as quais intitula como “Cenas do Cotidiano.” Retratam fielmente o quão sensível, observador e criativo é, não ficando nada a dever a nenhum dos famosos cronistas brasileiros. Apenas fazendo questão de ficar atrás dos bastidores. Discretamente, escondidinho aqui no sertão.(ver www.rimandoeencantando.blogspot.com)
Quisera eu, ter a capacidade para falar de tão ilustre ser humano, mas o vocabulário me falta para retratar com o brilhantismo devido seu trabalho como historiador,como ser humano, professor exemplar e chefe de família no verdadeiro sentido da palavra. Minha sensibilidade embora aguçada não encontra adjetivos adequados que possam retratar tudo que suas crônicas e poesias retratam deste pedaço de chão do Noroeste Mineiro abençoado por Deus e de plagas distantes onde o autor relembra sua infância.
Resta-me apenas dizer que o Sr. Geraldo Mendes Paiva, deixa importante legado ao povo de Santo Antônio e Dom Bosco, que por certo encontrarão em seus registros um veio de conhecimentos e em suas Crônicas e Poesias motivos que farão o coração bater mais forte levando-os a refletir, sentir saudade do ontem e olhar a natureza a sua volta com mais atenção. 
Espero de coração que todos saibam reconhecer e valorizar esse legado que não tem preço e que fica para a posteridade. Preservando-o e dando continuidade aos registros. A História, não é para uma década ou um dia é para sempre. E se não for registrada se perderá na penumbra do tempo.
Sr. Geraldo, só me resta agradecer-lhe, por ter sido meu colega de trabalho e com essa convivência ter recebido sempre seu apoio e incentivo em meus projetos rabiscados. Creia, aprendi muito com o Senhor. Embora sem chegar a seus pés.
Parabéns! Pelo seu zelo em registrar tantos fatos interessantes. Algum dia haverão de reconhecer que semeamos a semente. Se alguém vai regar para que dê frutos, só o tempo dirá. Ousamos, sonhamos e realizamos parte de um trabalho que dará a Dom Bosco sua Carteira de Identidade (sua História). Fazer a referida carteira fica a critério de nossas autoridades. Certo é, que demos a nossa contribuição. Que sem falsa modéstia é valorosa.
Um abraço da amiga, de sonhos, projetos e de vida!
Sueli Gomes da Silva - Dom Bosco/MG 03/12/2009

BIOGRAFIA

BIOGRAFIA


Biografia

Nome: Geraldo Mendes Paiva
Nascimento: 13/12/40
Naturalidade: Alvinópolis – MG
Filiação: Irineu de Paiva
Francisca Mendes Paiva
Cônjuge: Nair Mariz Paiva
Filhos: Vânia Aparecida Mariz Paiva e José Hélder Mariz Paiva.
Irmãos: Irene, Luzia, José Irineu, Helvécio e Inácia Aparecida.

Breve resumo.
Nasceu numa fazenda cercada de montanhas, com águas abundantes e ricas jazidas de minério de ferro; lugar denominado “Córrego das Pedras”, próximo ao povoado de São Tomé, hoje município de Dom Silvério. Com cinco anos de idade a família mudou-se para o Estado de São Paulo onde morou nos municípios de Santa Branca, Santa Cruz das Palmeiras e Araraquara. Retornou em agosto de 1949 a Minas. A procura de terras para trabalhar, motivou a mudança para a Colônia Agropecuária do Paracatu, em pleno sertão no noroeste do Estado, região que estava em fase de colonização, praticamente desabitada na ocasião. No ano de 1959, partindo da cidade de Dionísio iniciou a mudança tendo aportado em 09 de fevereiro no lote da Novilha Brava, justamente na antiga sede da fazenda, cujos vestígios demonstrava ter sido um ponto avançado da civilização em tempos passados.

Estudos.
Ingressou na escola aos sete anos, na “Escola Rural do Chibarro” localizada em uma fazenda no município de Santa Branca, Estado de São Paulo, sendo sua primeira professora Dona Flora. Permaneceu pouco tempo na escola, por motivo de mudança. Prosseguiu seus estudos em Minas Gerais, tendo concluído o Curso Primário nas “Escolas Reunidas de Sem Peixe” em 1953. O Ensino Fundamental completo cursou através do supletivo; o curso de Magistério, professor do Ensino Fundamental, através do Programa “Logos II” da Secretaria de Educação. Posteriormente fez o Adicional em Língua Portuguesa, na modalidade de ensino à distância, tendo sido diplomado pelo Colégio Dom Hélder Câmara de São Gonçalo-RJ. Cursou ainda outros cursos patrocinados pela SEE na área da educação.

Vida Profissional.
Trabalhou desde a infância em serviços vinculados à zona rural, como roças, hortas e olarias. Trabalhou também como pedreiro em construções de pequeno porte. Iniciou suas atividades como professor, tendo trabalhado com turmas de alfabetização de adultos no antigo Mobral. Ingressou no serviço público estadual como professor na E.E. Santo Antônio. Na mesma escola exerceu ainda os cargos de coordenador, diretor e vice-diretor além de serviços de escrituração escolar. Prestou concurso público tendo sido nomeado e empossado como professor no cargo de P1A. Lecionou como regente disciplinas do currículo em turmas de 5ª à 8ª séries, embora sem habilitação específica, atuou em Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, Geografia e História. Como diretor conseguiu a implantação do pré-escolar e a extensão de séries do ensino de primeiro grau. Obteve apostilamento no cargo de diretor passando a exercer outras atividades no excedente da carga horária. Por motivo da municipalização da Escola, foi transferido para E.E. Dom Bosco, em Dom Bosco, exercendo as funções de regência de turmas e auxiliar de biblioteca. Posteriormente ocupou o cargo de secretário da mesma Escola, onde permaneceu até o seu afastamento preliminar à aposentadoria em outubro de 2006. Fora do magistério exerceu ainda outros cargos: preparador eleitoral, a serviço da Justiça Eleitoral da Comarca de João Pinheiro no futuro distrito de Santo Antônio por onze anos; a serviço da Prefeitura de Municipal de Bonfinópolis como encarregado do Posto do SIAT e IESA.

Serviços Comunitários.
Participou dos trabalhos de fundação da Vila Santo Antônio e da organização dos primeiros movimentos comunitários e religiosos, como a Conferência de São José, Centro Catequético e a festa do padroeiro Santo Antônio. Como membro da Comissão de Saúde do antigo Comitê de Desenvolvimento, promoveu campanhas de educação comunitária e saneamento, incrementando a implantação de fossas sépticas e filtros. Durante as grandes inundações ocorridas em 1979, participou dos trabalhos de socorro às vítimas promovendo o levantamento de danos e providenciando víveres para os atingidos e vacinação contra a febre tifo. Pleiteou junto às autoridades a criação da unidade básica de saúde, diante da situação de carência em que vivia a população. Posteriormente com a criação do Conselho Comunitário de Desenvolvimento, tornou seu primeiro presidente. Em 1983, juntamente com outros companheiros fundou a Associação Comunitária, tendo inclusive elaborado seu estatuto. Com a entidade registrada na forma da lei, obteve da CODEVASF a doação do prédio do Centro Comunitário e da área do campo de futebol. Lutou pela criação do distrito de Santo Antônio mesmo quando ainda fazia parte do município de Bonfinópolis; embora estudos tenham sido realizados, só efetivou a sua criação em 2000, através de lei aprovada pela Câmara Municipal de Dom Bosco.

Fazenda Novilha Brava, 29 de junho de 2009.

50 ANOS DA FAMÍLIA PAIVA NA COLÔNIA 2009 NOSSA HISTÓRIA

NOSSA HISTÓRIA

Nossa História
FAMÍLIA PAIVA
50 ANOS NA COLÔNIA

“Sertão é isto: o senhor empurra para trás, mas de repente ele volta a rodear o senhor dos lados. Sertão é quando menos espera. Mas saímos, saímos. Ao quando um belo dia, a gente parava em macias terras, agradáveis. As muitas águas. O rio desmazelado, livre rolador.”
Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas, pág 302.

UM JORNAL DE EMBRULHO

UM JORNAL DE EMBRULHO


Um jornal de embrulho.

Certa manhã um dos meninos chegou em casa com uma mercadoria comprada na venda que ficava próxima; talvez uma rapadura, ou um pacote de macarrão; naquele tempo embrulhava as mercadorias em jornais usados. Meu pai que sempre gostou de ler jornais, tomou aquele pedaço e se pôs a ler; talvez por uma ironia do destino, aquele pedaço de jornal de embrulho mudou o roteiro da história de nossa família. Apanhou o pedaço de papel e lá estava um pequeno artigo no qual se lia: “Terra e gado para o homem do São Francisco”; adiante falava de uma Colônia às margens do rio Paracatu, no desconhecido noroeste do Estado. O governo federal havia loteado uma grande gleba e distribuía uma parcela de terra e algumas cabeças de gado para os colonos. Homem que não temia a aventura aquilo mexeu logo com sua imaginação. Sem terra própria, trabalhávamos nas mais variadas atividades. Plantávamos roça, horta, tocava olaria, capina de eucalipto na Companhia, aliás, tudo fazíamos para garantir o pão de cada dia. O sonho de ter um pedaço de terra, ainda que tão distante seria o ideal. Espírito aventureiro não pensou em outra coisa, sempre comentando que ainda haveria de ver de perto a tal Colônia. Embora também sonhado com um pedaço de terra, temíamos tão grande aventura. A região do São Francisco que a gente lia a respeito era o sertão cercado de lendas, feras e febres bravas, metia medo. Quem gostaria de enfrentar o sucuri que engolia um boi? Dizia minha tia que tudo que fosse plantado as aves devoravam, neste ponto ela não estava enganada, conforme constatamos depois. Dizem que Deus manda os recados através dos acontecimentos mais simples; uma pequena divergência com sua irmã, proprietária da fazenda onde morávamos, foi como um empurrão rumo ao desconhecido. O nosso amigo Chiquito de Trajano acabou de chegar com uma novidade. Foi em uma caçada lá para as bandas de um tal rio Preto, afluente do Paracatu, disse ter ouvido falar numa cidade não muito distante, desconhecida até então; dizia o nome de uma forma engraçada, ele falava Unai e não Unaí. Contou meu pai que lá era a tal Colônia que ele vira no jornal. Uma turma de caçadores de Monlevade todos anos ficavam quinze dias caçando no sertão. Debruçados sobre o mapa, analisaram toda região; um vazio imenso apenas traçado por rios, algum povoado desconhecido aparecia por acaso geralmente às margens dos rios, demonstrando que realmente a região era inóspita e desabitada. Agora só servia mesmo ir conhecer a tal Colônia. Conselhos não faltaram. Minha avó, coitada, talvez já pressentindo que não veria mais a sua filha, falou das dificuldades que na certa não faltariam. Afinal trabalho se arrumava em qualquer lugar. Dionísio era uma cidade pequena, tranqüila, muito boa para viver. Para quem morava tão próximo à cidade, com igreja, missa até diariamente, alguma diversão, muita amizade, enfrentar o desconhecido? Paracatu, Pirapora, Corinto, Curvelo eram uma referência em todo sertão; naquele tempo o oeste era o além-mundo. Idéia de maluco levar a família para um fim de mundo totalmente ignorado.
(GMP)